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Sol Enganador (Utomlyonnye Solntsem)

Num toque monástico, e com mais uma vez um estranho toque e reticências plásticas e supérfluas, apetece-nos gritar a pulmões plenos: – Corre Rita! Corre Joana! Corram, corram! sem que as pálpebras vos intimidem de ver para além, numa expressão descontinuada de “après moi le déluge”.
 Elas correm, e nós todos corremos atrás delas. Talvez elas sejam atraentes, talvez a ideia de correr atrás delas seja atraente, talvez algo não esteja de facto bem. No raro caso de algo não estar bem, pouco estranho é, que não o esteja bem à já muito tempo; a culpa não é minha. A culpa não é do Sócrates, não é do acordo ortográfico, não é do 25 de Abril, nem do Maio de ’68 nem minha e nem de quem a apanhar. A culpa não é de ninguém. E seja ela de quem for, ou de quem ela não for, chamemos-lhe por agora – crise.

Eu tenho andado a modos que retraído, já desde à uns tempos para cá, evitando pegar nesta palavra e consequentemente, neste tema. Tal retracção poderá ser explicada pelo meu desinteresse, ignorância ou somente um certo medo destes temas. Na verdade, um poucos de todos e cada um à parte, na sua parte, essencialmente congregados na essência deste texto pelo meu optimismo desinteressado (embora cada vez menos presente nestas questões que hoje se arrastam). O que acontece é que toda a nossa existência e herança enquanto raça e cultura, se fez e vai fazendo de episódios semelhantes, reflectindo por vezes maiores, ou menores, níveis de desespero, intolerância, ausência, sagacidade e imprepotência; num “show” de inocência insolente com que desfolhamos páginas de registos históricos, mascando citações e ideias vagas e abstractas ao ver passar mortos e nascidos prosseguindo a parada. Por luas e luas, continuamos a ministrarmo-nos (a nós próprios…) ignorância e uma brutal sensação de insuficiência e insatisfação em dose de cavalo, florescendo num “bem-me-quer” atroz, em redor das noções de consumismo e capitalismo.
 Na verdade, não percebo patavina de história, muito menos patavina de política e sistemas politico-sócio-económicos-whatever. No entanto, creio que tudo isto se aprende com um pequeno esforço e mera meia dúzia de livros por perto, daí reflicto, deduzo e retiro que muito “boa gente” o saiba, -e sublinho – de traz para a frente, inevitavelmente. Do pouco que pouco sei, parece-me apenas lógico e congruente que quem não quer mudar, não muda; ou por outras palavras: “quem está mal, muda-se”; tenho dito.

Zen


Sou parvo

 Já fui normal, como todos vocês com tempo e pachorra para ler isto …, mas num ápice, tornei-me embora, algo estável e completo, o que sinto mas duvido seriamente ser nada mais que uma ilusão; triste e preocupado. Antes fui um tipo feliz, a vida era fácil, decorosa, despreocupada e simples, apenas perturbada pelas questões existenciais, vejam lá … No dia em que a conheci tornei-me triste, ao perceber que me faltava algo importante, ao perceber que era difícil obtê-lo, e ao sofrer na pele e na alma coisas como desprezo, indiferença e inutilidade. Cedo passei de “desportista” a “profissional” da preocupação, eu que raramente me preocupava comigo, agora de repente, não só tinha de me preocupar comigo, para causar a melhor impressão; mas também com ela, para tentar saber com alguma precisão que tipo de impacto teria nela a minha suposta “boa” impressão. Dum dia para outro, passei então a preocupar-me seriamente com portanto três coisas, incluindo também nós os dois, enquanto conjunto, o que se tem revelado uma miragem muuito ténue, pois ela não parece por vezes pensar nos dois, ou em mim, mas nela, única e exclusivamente…
                  Após uns dias deste sofrimento embora frugal, bastante profundo e torturante, veio a saudade, fazendo-me perceber o quão triste podia ser enquanto apaixonado. Nunca por ninguém ou alguma coisa senti tamanha saudade, falta e desespero, tudo se parecia desmoronar, desabar, ruir, e eu inconscientemente abria os braços procurando um abraço, e nem uma brisa palpava, apenas um enorme vazio e saudade agonizante… Percebi que não havia nada, eu não era nada, e tudo isso adquiria presença entre os meus braços, com um sorriso sarcástico e pouco simpático.Bahh…

Zen


Quanto à personalidade e método próprio, a questão da criação

Eu, não outro que não eu, o que se revela à vista desarmada impossível pois eu não me defino sobre meus próprios parâmetros como não sendo outro que não Eu, imposível também sobre quaisquer outras condições,
classificações ou parâmetros, pois a máquina não pára enquanto houver carvão, vapor fervente escorrente pela montanha abaixo em busca de compreensão tal que não atinja por próprios meios, pois de próprios creio não ter nada pois embora não sendo definível mentalmente ou pessoalmente define-se a espécie de meu sangue como gloriosamente humana embora nem sempre esteja de acordo, definindo assim sangue este que julgo não ser diferente de demais bestas em certas condições, classificações e/ou parâmetros.Concluo com isto que nenhum método salvo rara excepcção aquando o aparecimento de todo o universo, se é que tal realmente existiu/ocorreu*, foi criado com o fim de estudar o início das coisas, daí a ser “possível” dentro de certas camadas e extractos sociais, a criação de um novo método para o que quer que seja, dando-me eu como solene e responsável apoiante da máxima:”nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”, e é com base nesta suposição por parte de Lavoisier que eu concluo todas e quaiquer opiniões dadas por mim nesta humilde e imperfeita composição aqui e agora redigida.(3/09/09)

*(devido assunto será tratado e analisado noutro apontamento por chance do acaso diferente deste pois o autor por motivos acima referidos é susceptível a mudar as suas ideias e faceta perante tal assunto num curto espaço de tempo).

Zen


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