(sem título)

Atentamente,
Sigo os seus passos com a mente…

Não a oiço
Nem lhe vejo os pés.
Mas o seu respirar ecoa pela casa
E as paredes tremem com a pulsação
E, ao sentir o seu perfume no ar,
Sei que nunca aqui esteve.

Há um vagar e um silencio,
Um frio vazio.

E cada passo é um dia que passa…
Cada passo é uma noite que escapa…
(E não há dia que passe sem que eu pense nisso…)

Escrever é escasso
No meu castelo de cartas –
Desaba
Com um sopro que ela não chegou a soprar.

Hoje acordei sozinho.

Boris


Amo-te à força

- Não percebo como se pode deixar levar por isto…, Dona Madalena, ele não a ama!

- Mas como pode sequer afirmar isso? Alexandre não o conhece.

- Olhe que não… quiçá nem o conheça a menina tão bem quanto eu! Pois, talvez não o saiba, mas eu frequentei a preparatória e a escola industrial com ele! Conheço-o como ninguém.

- Se o conhece da forma que diz, que amigo se julga você, desacreditando perante mim (sua noiva) os seus sentimentos?…

- Eu nunca lhe disse que éramos amigos… Chegámos, de facto, a ser amigos durante a infância; porém, foram a sua falsidade e cinismo que nos afastaram – aos poucos – a partir dos 15 anos…

- Parece-lhe então correcto traí-lo também?

- Dona Madalena, não posso considerar a verdade uma traição, pois, a ele, já não lhe devo qualquer lealdade; e a si, pretendo ser acima de tudo verdadeiro e leal – a tal a minha honestidade obriga, e de forma alguma a corromperia. E, para além da minha honestidade há, como de certeza já reparou, algo mais que sinto por si…

(E é interrompido pela sagacidade de Madalena)

- Desculpe Alexandre, mas ainda que Daniel não me ame a mim – como você diz -, eu amo-o a ele, incondicionalmente, e lamento não corresponder à sua enorme honestidade e bondade.

- Creio que D. Madalena se esqueceu, porém, de um pormenor: pois, seu pai, Sr. António Rebelo Pereira, à muito me incentiva a pedir-lhe a mão de sua filha, instigando que eu possuo as qualidades  que, segundo ele, são as ideais para o seu futuro genro. Não vejo por isso forma de a menina se casar com mais quem quer que seja… e, lamentavelmente ou não, terá de se casar comigo!

(À medida que o discurso de Alexandre ia progredindo, ia, paralelamente com ele, progredindo o pranto de Madalena que, já lavada em lágrimas, grita em desespero…)

- Fugirei com Daniel para Toulouse! onde os tios dele vivem.

- Com o dinheiro de quem?…

(Madalena afoga-se nas suas silenciosas lágrimas, e mergulha na cama, escondendo a face brilhante e lavada por entre os pesados cobertores. Crava os pequenos dentes numa pequena almofada de feijões, com ódio deixando gravadas as marcas do seu amor)


Zen


Legendas (Ao quadro de um Pintor)

1

Ali está! A maior “coisa” da cansada região. Alta e esguia, construção abatida e rígida, impávida ao toque. Olhos cerrados no horizonte e uma boca fechada que parece suspirar o tempo, soluçando de quando a quando as saudades da humanidade e da falta de ausência dum sorriso, como se se tratasse de algo cobarde e ignóbil… Cabelos baços vermelhos lacados pela desgraça, o vento tanto e a arrogância. Aquelas mamas… Hey! Não tem mamas! Fogo, isto não é uma mulher… é uma torre!

Há tantos tontos dias que me arrastava por aquelas bandas de silêncio com o fortuito intuito de sair dali. Como num quadro de Dalí – eu não escolhera chegar aqui, mas cheguei. No âmago da situação, a explicação é implicitamente… Razoável; sendo que, um dia saí da cama, do quarto-casa prédio-rua-freguesia-concelho… Do mundo! E caminhei apenas por sentir que, pessoalmente, precisava urgentemente de pulsação no intravenoso (uma Corrida).

De início fui atingido por um tiro no estômago, Ai! Que fome… depois pelo sono e afins sem fim, como a minha ambígua ambição. Por terras onde a terra é simples que choca, e demais repleta de altos e baixos, lamúrias e palavras daninhas, críticas à razão que eu colho e tento comer, em vão… no vão das escadas me observo obscuro, e recato escondido do itinerário, tal é o medo de regressar para onde vim. Isso sim, assusta-me, palavra que sim.

1/2

As terras nunca pareceram tão ligadas à Terra; o céu esbugalhado, olha-me como uma criança surpresa, Surpresa! Pelos vistos sou sua presa, pois parece não querer cessar as suas brincadeiras com nuvens, desenhando nelas estúpidas figuras que meus olhos cativam e prometem perdição; desenhando com elas chuvas macabras ou um sol cuja radiação me penetra o cérebro até à loucura de dizer que sim, Sim! A isto tudo… Caminho já sem sentidos excepto o sexto, apalpando a brisa na cara de tempos a tempos – irregular -; respiro fundo mas não sinto o ar entrar, o que também não faz espantar uma pessoa que seja e se digne, pois aqui só estou eu, penso.
Há coisa de uns dias decidi regressar, e, com a meia volta dada foi só andar em frente. Ao andar em frente, acabei por não voltar para trás, mas sim continuar em frente (o que me levou mais ou menos ao mesmo lugar, aqui, acolá…). Enxergando já o desespero da cara, aquela expressão obscena e repulsiva, compus-me a esquecer a esperança e apenas cantarolar desafinado, como o típico fato e gravata amarrotados ao desenrascar numa rasca festa na tasca, incompreendidos como milhões de beijos em fechaduras que me trancaram e trancam no perplexo… Há dias encontrei uma árvore, raquítica alta e bastante vistosa (podre por sinal…) e num pleonasmo de ignorância obtusa resolvi subi-la para avistar o horizonte. E engraçado como parece, estava ainda a subir, já estava a descer, PUM! Definitivamente algo me prende neste local, e me impede de pedir auxílio ao que seja, e a quem seja, incluindo eu próprio… (sou assim de tal forma inútil…). Levantei-me como se nada fosse e, nada foi, apenas parecia que o céu tinha descido à terra, ou quiçá tenha a terra subido… mas parecia agora estar envolvido numa nébula de sarcasmo e vergonha que pairava sobre minha cabeça e parecia rir sempre que não estava a olhar, estou louco (ou então é do nevoeiro).Ao longe avistei o nada.

-Hummm, devo estar perto.

E foi aí que após tão tortuosa e exaustiva caminhada me cruzei com um abismo e lhe perguntei as horas, o nome… mas nem um eco que se preze, porra, que lata! Ia a virar-me quando caí fulminantemente rápido na lentidão do abismo, vendo a minha cara reflectida em toda e qualquer superfície visível do meu raio de visão. Lá estava eu, ali, acolá e aqui…, epá! ‘Tou a precisar de fazer a barba.

2

Cair julgo que não; a modos que, sem modos, aterrei, sem dizer bom dia nem boa tarde. À aproximação, inspeccionei a estatura, os traços, a altura e, ia morrendo da circunstância; tão obtuso que fiquei ao tomar consciência de que era uma torre. Janelas, portas, telhado. Tudo era milimetricamente feminino, no entanto chamei-lhe Jónico: base – pés grandes; fuste – corpo comprido e esguio sensual; capitel – enfeitada carinha laroca. Os dias e noites passam, inóspitos e, sem luz que exceda a média luz (não há noites) – caóticos e indecentes, insuficientes. Os dias parecem arrastar a minha mágoa pelo sempre, pois o sol não se mexe… As horas não passam… Só as malvadas nuvens se mexem! Sempre dum lado para outro! Chuva, sol, chuva, sol, raios as partam! As malvadas nuvens… Nisto, um dia resolvo chegar perto de Jónico.

- Boas noites!

E ninguém responde, pelo que solto mais um:

-Boa noite! – Exclamo já meio enfadado.

-Oh! Desprezo, mas porquê tanta repúdia para comigo? Porquê o meu rótulo de insignificância tal que, nem ao menos mereço ser ouvido por um raio de uma torre no meio desta merda sem fim? Mas porquê…?

E a porta abre, rangendo de forma colossal. Fazem soar-se pelos degraus a descer, o eco das minhas palavras – nervosas e irritadas – proferidas tão vagamente como as mãos que, em busca de apoios, tacteiam as paredes aleatoriamente. “Isto deve ser um teste, só pode…”, e, realmente, naquela altura só podia. Mais uma vez recomeça a caminhada a que tanto me habituei; o raio da marcha do pinguim que já pareço – com asas mas sem voar…
Começo a sentir, como que um trovejar interno, uma revolução intestinal que parece pronta a fazer cuspir as entranhas pelo umbigo, que me enjoa e atormenta em reticências… E, por falar nisso; estou de novo a jogar à “cabra cega”…

-Cabra da torre! Escura que nem breu!

Percorro horas pela escada sem corrimão, encaracolada na imaculável paciência que disponho para não desistir, enquanto calmamente me afundo… Desço e desço o mais baixo que se pode descer, o rebaixar de pão a migalha, à mais ínfima espécie imaginável… De repente paro um segundo, e encosto me à parede;

-Ahh, ahh… – Arfando ininterruptamente, e com fortes batimentos cardíacos do meu fétido coração de pedra; um ponto negro estilo “pitch black”, de facto, negro como nem nunca o Pintor viu!
Receio pela primeira vez, que toda a esta morte foi totalmente desprovida de significado…

-Mas eu estou morto?

-Não! – Respondo para me relaxar… Bem, ao menos estou sempre aqui para me ajudar, pois, afinal os amigos são para as ocasiões. Hesito de novo, e repito a hesitação… e,
finalmente compenetrando-me a entrar, fico; caindo num imenso vórtex que me atira de costas para a catacumba, PUM! Tudo a minha volta está a em derrocada e a ruir; o previsível fim da torre, comigo lá dentro.

-Ai Jónico, que já foste c’o caralho!

E sim, só para ser do contra, ele manteve-se erecto, tendo, pelos vistos, simulado apenas toda a catástrofe para me provocar pânico… De repente, vejo-me no cimo da torre.
Descendo à dias a fio a tenebrosa escada, encontro-me agora no cimo da torre, por entre as nébulas do desconhecido e do inconcreto; como que pendurado por um único fio, sozinho, débil e desamparado no meio do Universo, infinito.

3

Fechado na sua indecência, ele chora enquanto sorri, exibindo em torno de si um ténue e simpático arco-íris. Pensa que… – Não pensa, não tem cabeça para isso, é o processo “Kafka Oculto”! Não age, só mexe e, expira por todos os lados convulsões pouco comedidas; mexe, remexe, cresce… e cai da torre!
Ao olhar os flancos, repara que está de novo na torre. Não escapa. É como um Super-Homem ao contrário – sem capa -, numa copa de palavras que designam o que de negativo há em tudo, o que mexe e remexe, o que “cresce”…

-Sinceramente digam-me: Que acharia Kafka da barata em que me transformei? Aprendendo a usar as pequenas inúmeras patas/patias para me deslocar, vacilante no tecto/chão destas quatro paredes a que me confinei e, perdendo toda e qualquer noção de tudo negando a minha liberdade? Exercendo-a de forma fina, – quase feminina – e pouco compreensiva?

-Que diria eu…?

-Que poderia dizer uma coisa, que chegou de “continua-quedas” a um lugar onde apenas fomentou relações com uma torre…? Aaaaaaíííííí! Que RAIVA! Quero morrer e não morro, quero sair e só entro, quero comer e não tenho fome, quero ver e não vejo, quero viver e não morro;… Será esta a sensação de alguém à muito pintado e preso num quadro?

Zen


Cartas de 1953 – 20 de Junho

Montsant, 20 de Junho de 1953

Ao filho do Sr. Jocevin,

Sendo assim, Desidério,
Cá te espério!
(Tenho andado a rabiscar uma rimas, não tenho outra coisa na cabeça…)

Cumprimentos,

Dalí


Cartas de 1953 – 13 de Junho (4)

Montsant, 13 de Junho de 1953

Meu caro Ludovico,

Espero que a Conchita te tenha avisado; parto hoje para aí a fim de vender os meus casacos velhos, perdão, novos, ao alfaiate, dá-lhe uma palavrinha por mim, se puderes. Só devo chegar na 2ª, pois vou de bicicleta.

Cumprimentos,

Dalí


Cartas de 1953 – 13 de Junho (3)

Montsant, 13 de Junho de 1953

Ao Sr. Bixo,

Fiquei realmente a pensar no que me disse. Deverá ser exactamente isso que tenho andado à procura. Parto ainda hoje para Alcover na minha bicicleta e aproveito a inspiração da viagem. E talvez faça uma visita ao nosso amigo Ebro…

Queira-me desculpar o tamanho da carta, mas tenho andado a despachar um monte delas hoje…

Cumprimentos,

Dalí


Cartas de 1953 – 13 de Junho (2)

Montsant, 13 de Junho de 1953

Ao filho do Sr. Jocevin, cujo nome já me deu a conhecer,

Fizeste bem em aceitar dar-me o relógio, penso que será o melhor para os dois. Esqueci-me de perguntar, é aquele redondo de prata? Com uma pequena corrente? É deveras um belo relógio… Quando posso ir aí buscá-lo?

Cumprimentos,

Dalí


Cartas de 1953 – 13 de Junho

Montsant, 13 de Junho de 1953

Estimado Ricquart,

Não te preocupes, meu caro, estou quase a recuperar o teu relógio e, boa notícia, estou também prestes a arranjar o dinheiro para construir o moinho, arranjei cá um negócio! Para a semana escrevo-te mais detalhes, estou com pressa…

Cumprimentos,

Dalí


Café com Notas/Natas

Tomo o café e, a ninguém interessa saber onde, como, quando e com quem; pois tudo o que falo é de nuvens, de como as vejo azuis no céu brilhante, escutando atentamente o “Chamelion” do Hancock.
                   Nas nuvens vejo pessoas, formas, a minha primeira namorada, os meus grandes amigos, a minha família. Tudo aquilo que deixei para trás, porquê? Que faço neste raio de pedaço de Terra? No fim das linhas tortas onde Deus se negou a escrever o que quer que seja… Terei eu errado simplesmente no meu percurso de vida?

Compreendo-o hoje escutando Horowitz e mais uma dessas baladas de Chopin, a ética é algo intransmissível; toda essa herança de família passada nos meus olhares, sorrisos, escarros (estranhamente transmissíveis e populares, estes últimos…) – não possui ética alguma…

Peço a conta abstraído do desprezo com que o faço e, o simpático empregado – atencioso como de todas as vezes em que não vim a este café – a traz. As nuvens continuam lá fora, as pessoas chamam, choram, e chove a potes, que bom! Creio estar na altura de me constipar! – Penso. Saio para a rua com esse propósito em mente mas é de forma dramática que constato que, apenas se tratava da inquilina do andar de cima queixando-se energicamente da sua pobre habitação alagada; despejando assim o lixo misturado em lixívia licitamente borda-fora, como quem não quer a coisa.
                 Parece então que ninguém chora por mim, senão a varanda da senhora. Aliás, até o simpático empregado me pretende felicitar, correndo já atrás de mim de cutelo em punho, perguntando-me de forma bem mais atenciosa e cooperante que antes se pretendo ou não pagar.

-Caaalma, traz lá a conta, rapaz!

E, de novo a traz, amachucada e rabiscada;

-Como? Um dólar?! Deves ter-te enganado…, exijo a prova!

E nove escaramuças ele profana, assombrando-me a sua falta de pontaria, e, falhando várias tentativas de me acertar com o cutelo nas tripas. De forma alegre, e entusiasmado como estava com a brilhosa iniciativa do rapaz*, fiz das tripas coração e desferi-lhe na cara um ataque cardíaco; algo vindo do coração com todo o carinho e afectividade possíveis, no intuito de motivar a responder solidamente com argumentos válidos, algo que não consegui… Mais lixívia choveu nesse dia, mas desta vez da boca dos agentes policiais eternamente decididos a perseguir-me – como o rato persegue o gato.

-Não me apanham! Não me apanham! – Ladrava eu, rua fora desmiolado, correndo mais rápido que os ratos…
 

*Espécie de referência a composição de Scriabin, “Vers la Flamme”, Op.72

Zen


Cartas de 1953 – 6 de Junho (2)

Montsant, 6 de Junho de 1953

Ao Sr. Bixo

Vejo que finalmente o convenci a escrever-me. Não sei porque teimou tanto – creio que esse é um dos pontos fulcrais da sua carta. Apreciei deveras a sua escrita, mas é de meu ver que se encontra enormemente condicionada pela sua teimosia. Até parece que foi obrigado a escrevê-la, é o que denoto… e isso leva à perda da espontaneidade necessária em qualquer rabisco. Quanto ao seu perfeitamente refutável argumento de que, e passo a citar, “trocar correspondência com uma pessoa que vive a menos de 50 metros é idiota e não faz qualquer sentido, se nos vemos praticamente todos os dias”, tive a amabilidade de elaborar uma lista de vantagens de escrever a quem resida no mesmo espaço geográfico:

  • Não se gasta dinheiro em selos;
  • “     “       “              “        em envelopes;
  • A correspondência é mais rápida e frequente;
  • Permite o desenrolar de uma conversa com o ritmo que desejarmos;
  • Não de dá o perigo do carteiro perder a correspondência (ou ele próprio, na bebida, numa rixa ou a considerar uma vida de espiritualismo bucólico ao observar a majestade natural das montanhas dos Alpes) e ficarmos anos à espera da resposta, ficando a pensar que o nosso destinatário não nos quis responder por ofensa ou porque nos deve dinheiro ou porque faleceu;
  • Qualquer confusão ou mal-entendido poderá facilmente ser resolvido;
  • Podemos, sempre que quisermos, terminar a conversa e iniciar uma conversação verbal.

Dito isto, e, meu caro, não fique ofendido com a indiscrição, espero que tenha ficado esclarecido e que na próxima carta esteja mais desinibido.

A propósito, ainda não lhe contei. Arranjei finalmente maneira de conseguir pagar o meu moinho; a Sra. Conchita contou-me que o Ludovico deve-se ficar por Alcover, visto que conheceu lá um alfaiate e ficou a trabalhar na sua loja. Quando soube disto pensei: se o homem deixa ao desleixado do Ludovico a responsabilidade de uma parte do seu negócio e da sua loja, é porque deve, com certeza ser um pouco senil. Hei-de passar por lá talvez amanhã e vender-lhe os meus casacos velhos a bom preço. Peço à Nancy para lhes dar uma limpeza e puxar um pouco de lustro e estão como novos, os velhos.

Um abraço,

Dalí


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